A Pesca Esportiva no Rios

Escrever a respeito da pesca pra mim é sempre estimulante, não só pela minha história profissional e escolhas que sofrefram uma influência definitiva de minhas experiências pescando com meu avô materno desde criança, mas especialmente, pelo meu respeito a estes animais, os peixes, tão importantes na evolução de todos os vertebrados terrestres que conhecemos hoje.

Já passou dez anos em que toda semana, em diferentes meios de comunicação audiovisual apresento um programa sobre animais, culturas nativas e natureza. Primeiro foi a TV Futura, depois a TV Record, depois o SBT e hoje a National Geographic e a Bandeirantes.

Antes da televisão por cerca de oito anos estive `a frente de um criadouro conservacionista, vamos colocar pra quem não conhece, um local que abrigava animais silvestres, quase um zoológico. Ou seja, nos últimos vinte anos de minha vida, quase metade dela, estive ligado profissionalmente com a questão dos animais. Mas, tudo isto, minhas escolhas e oportunidades começaram na pesca.

Meu avô, um italiano apaixonado pelo Brasil, adorava pescar. Adorava também o neto único que ensinou a pescar em Bertioga quando eu tinha menos de cinco anos de idade. Naquela época em Bertioga, o peixe mais desejado era o robalo que se pescava embarcado no canal próximo à balsa.

Com doze anos de idade meu avô começou a me levar para desafios maiores na pesca, ao Pantanal e Amazônia. Naquela época, trinta anos atrás a turma de pesca levava embora tudo que retirava dos rios, era uma pesca esportiva nada ecológica, bem predatória. Trinta anos atrás não se tinha consciência ecológica e o conhecimento que temos hoje. Meu avô viria a terminar seus dias comigo pescando no nosso amado rio Miranda com mais de oitenta anos de idade praticando o pesque e solte.

Desta forma, a pesca foi o pano de fundo para que eu aprendesse a respeitar e conhecer a natureza destes locais maravilhosos tanto no Pantanal como na Amazônia. E isto funciona até hoje. Quando se viaja para uma pescaria, são gigantescos os aprendizados. Cada curva de rio abre novas paisagens e oportunidades. Quantas vezes, enquanto pescava vi onças no barranco, dezenas de aves e macacos diferentes, tamanduás e capivaras cruzando os rios, jacarés se alimentando.

Isto sem falar na surpresa do que vai sair da água na ponta do anzol na sua linha de pesca. A variedade de peixes de nossos rios é gigantesca, somos o número um do planeta em biodiversidade de espécies de peixes. E a cada puxada e embarcada para uma foto, uma lição recebida do piloteiro que fala o nome popular do peixe na região, conhece seus hábitos, o tamanho que atinge, a melhor época e técnicas para fisga-lo e até em alguns casos o nome científico e em inglês do peixe.

Nestes últimos anos em que estive à frente de programas de televisão sempre encaixei programas que envolvem a pesca até porque esta é a única maneira de conhecer estes seres que vivem embaixo da água de rios. No mar ainda podemos mergulhar e ir visita-los em seu habitat mas nos rios, exceção feita a alguns lugares espetaculares e cristalinos como Bonito no Mato Grosso do Sul.

Tive encontros fabulosos com alguns seres vivos que me emocionaram. Meus melhores encontros foram no rio São Benedito com um Jaú de cerca de sessenta ou mais quilos. Ainda no rio São Benedito, a gigantesca piranha preta, o poraquê chamado de peixe-elétrico e a esportiva e impressionante cachorra.

Outros grandes bagres tive a oportunidade de soltar também como a linda Pirarara em Itacoatiara no Amazonas e uma Piraíba no Araguaia onde também tive a oportunidade de encontrar com o incrível peixe macaco, o Aruanã.
Em Manaus, a despesca do gigante pirarucu e a liberação em um tanque do estranho cuiú-cuiú.

Nos Estados Unidos, mais exatamente no Texas conseguimos mostrar o lendário peixe-jacaré, o Gar Fish, uma conquista que nos levou mais de quatro dias para realizar.

Recentemente tive a oportunidade, desta vez gravando para a National Geographic de gravar uma arraia de rio simplesmente gigantesca, que enquanto era gravada, deu a luz, pariu dois filhotes.

Gostaria de terminar este breve artigo com uma colocação simples já que estamos falando de pesca e consequentemente de peixes. Sim, peixe é bicho. Apesar de ser tratado como recurso pesqueiro e visto somente como alimento, peixe é bicho. Aliás é um bicho muito importante. Peixes são os primeiros vertebrados de nosso planeta, que um dia rastejaram para fora do ambiente aquático e evoluíram para os anfíbios e depois répteis e daí finalmente as aves e mamíferos. Ou seja, na melhor hipótese e de forma grosseira, nós mesmos viemos da evolução de um peixe.

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