Sea World

O SEA WORLD

Sea WorldRecentemente recebi um convite para participar de um evento no Brasil promovido pelo Sea World. Por conta de agenda de gravações não pude ir, mas pedi a uma pessoa que trabalha comigo para participar em meu nome.

Recebi  este convite como imprensa já que tive a oportunidade, quando gravava nos EUA uma série para o Aventura Selvagem do SBT na Flórida, em 2011, de gravar dois parques do grupo, o Bush Gardens em Tampa e o próprio Sea World em Orlando.

Foi no Sea World que eu vi pela primeira vez, bem de perto, uma morsa. Não tinha ideia real do tamanho do bicho e me surpreendi, me interessando a preparar uma pauta gravada na natureza com estes impressionantes animais para 2016 pela NatGeo.

Voltando ao início, este evento gerou um almoço para discutir a possibilidade de uma pauta para o novo programa Sábado Animal da Band. Vale aqui uma pausa para nos situarmos melhor.

O parque Sea World nos últimos anos tem sido alvo de críticas de algumas organizações ambientalistas com respeito especialmente às orcas que mantém em cativeiro, grande diferencial do local para outros que mantém mamíferos aquáticos menores como golfinhos por exemplo.

O interesse do parque, nas pautas propostas, era mostrar um outro lado e posicionamento do Sea World enquanto grupo que recebe em seus parques mais de 20 milhões de pessoas por ano. Queriam mostrar como se preocupam com o bem estar dos animais que estão sob sua tutela e como, através de seus fundos de conservação e profissionais, ajudam projetos importantes de pesquisa e conservação em todo planeta.

Nesta mesma reunião me mostraram diversos vídeos e citaram diversos centros de conservação e pesquisadores que ajudam e que eu conheço pessoalmente. Então eu tomei a decisão que iria aceitar a proposta de mostrar isso ao público. Aceitei o desafio.  Sabia desde o início que iria sofrer ataques de alas mais radicais da conservação. Mas não tive medo e nunca irei ficar sobre o muro, como um covarde, para não me expor.

Gosto de águas turbulentas, pois acredito que é nelas que forjamos nossas conquistas, leis, consensos. Discutindo e ouvindo. Não existe uma única verdade e uma situação sempre merece ser avaliada pelos diferentes aspectos que apresenta. O planeta é colorido e não preto e branco.

Desta forma, montamos 8 programas curtos encaixados em dois formatos de quadros já existentes na estrutura do Sábado Animal: SOS Natureza e Zoológico Amigo e fui para a Flórida gravar.

Nos quadros do SOS Natureza, abordamos os projetos de resgate de animais marinhos realizados pelo Sea World, especialmente de Manatees ou Peixes-Boi Marinhos como chamamos e de diversas espécies de Tartarugas Marinhas. No Bush Gardens, abordamos os projetos envolvendo os Rinocerontes Africanos e a Cheetah ou Guepardo. Coincidência pois acabei de voltar da Africa gravando os mesmos projetos que eles ajudam a financiar destes animais e não sabia disso.

Nos quadros Zoológico Amigo mostramos os diferentes aspectos que envolvem os cuidados com os animais de ambos parques: construção de recintos e enriquecimento ambiental, educação ambiental, cuidados animais relacionados a alimentação e medicina veterinária e treinamentos visando as performances e cuidados diversos.

Vou deixar os programas falarem por si. Fui com caráter jornalístico e naturalmente olhar de naturalista com perfil de centro, de bom senso, de caminho do meio. Sou contra o puro radicalismo, tanto de esquerda, da pura conservação acima de tudo, que acaba sendo hipócrita; como de extrema direita, do uso capitalista dos recursos naturais a qualquer preço, sem escrúpulos. Ouvi diversos profissionais que trabalham no grupo, a maioria a muitos anos: de biólogos e veterinários a tratadores e engenheiros. Profissionais que colocaram sua cara a tapa no vídeo para defender o trabalho que fazem. Fiz meu trabalho, a partir do que vi e senti.

Vou fazer algumas colocações de acordo com minha experiência e conhecimento.

Naturalmente, como disse antes, tudo na vida tem mais de um lado e sabendo que não existe verdade absoluta, coloco os fatos positivos e negativos em uma balança, o lado que pesar mais direciona meu leme. Claro que as pessoas que leem este artigo podem ou não concordar com minhas conclusões, é seu direito. Não quero convencer as pessoas, quero expor os fatos que me orientam a tomar posicionamentos, a minha verdade, e depois cada um tem o direito de pensar o que quiser e acreditar na sua verdade pessoal.

Orcas estão melhor no Sea World ou na natureza?

Certamente estão melhor na natureza do que no Sea World. Qualquer um pode afirmar isso. É natural. Assim como todos os animais que estão hoje em zoológicos, aquários e outras formas de cativeiro. As orcas não estão mais ameaçadas do que tigres, ursos-polares, tubarões-baleia, peixes-boi, golfinhos; animais que encontramos em outros zoológicos e parques. Se formos pensar somente desta maneira, todos os animais merecem o mesmo tipo de discussão neste quesito e não exclusivamente as orcas e nenhum animal no planeta deveria estar em cativeiro.

As Orcas que estão hoje no Sea World podem ser soltas na natureza?

Não, não podem. São mamíferos sociais muito inteligentes que estão totalmente condicionados ao cativeiro e com um inprint humano muito forte. Não conhecem a vida livre e não vão sobreviver às condições naturais como a grande maioria dos animais que hoje vivem em zoológicos e aquários ao redor do planeta. As orcas que estão hoje em cativeiro são descendentes de orcas que foram capturadas a mais de trinta anos atrás. Eu tenho 45 anos de idade e lembro de como se pensava naquela época. Quando capturaram estes animais, o nosso mundo humano era diferente, pensávamos diferente. O governo brasileiro que hoje é contra o desmatamento na Amazônia, a trinta anos atrás deu motosserras para os gaúchos desbravarem este ambiente. A pesca era livre nos rios e podíamos retirar quantos peixes coubessem nas geladeiras que levávamos, sem qualquer limite. Eu vi isso com meu avô e seus amigos pescadores. As pessoas não sabiam o que se sabe hoje Não havia, em resumo, a consciência ambiental que hoje temos. Certamente hoje em dia estas orcas não teriam sido capturadas.

Partindo destas duas respostas, adiciono algumas considerações:

Zoológicos e aquários sérios, consideram os animais que estão em sob cuidados como indivíduos e não mercadorias descartáveis e substituíveis, não poupando recursos para o bem estar dos bichos em todos os aspectos relacionados ao bem estar de saúde física e mental dos mesmos.

Zoológicos e aquários sérios, recebem milhares de pessoas e tem o dever de usar estes animais que estão sob sua tutela, como ferramentas de conhecimento e educação ambiental para o público geral e incentivar pesquisas no meio científico relacionadas à conservação e biologia destes animais.

Zoológicos e aquários sérios, são locais de grande investimento e receita e tem a obrigação moral de retornar parte desta receita patrocinando projetos de conservação ao redor do planeta.

Sou uma pessoa privilegiada, que viaja o mundo para conhecer animais. Já gravei orcas na natureza. Tenho dois filhos, uma com vinte e outro com dezenove. Quando crianças foram ao Sea World e conheceram uma orca de perto. Mesmo sendo filhos do Richard, poder ver este animal em vida livre será difícil, pois as orcas vivem em locais fora de mão e será grande a chance desta ter sido a única oportunidade de ambos poderem ver uma orca. Ficaram encantados. Se interessaram, quiseram saber mais. Com o avanço dos tempos trazendo mudanças da tecnologia e das sociedades, novas exigências e parâmetros serão apresentados e muitas acomodações naturalmente irão de ser feitas.

Agora, cada um dá o peso para os aspectos que achar mais importante e tira suas próprias conclusões e verdades. Mas ao menos deem uma chance e assistam.

Conservação é um sentimento que nasce no coração, é balizada no cérebro e concretizada no bolso.

 

Obrigado.

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